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“Chegar, dançar e vencer”


Conceição Eugénio, Carla Silva e Pedro Eugénio. Duas gerações diferentes. Conceição é a mãe. Pedro é o filho. Carla é a parceira de dança de Pedro. Os três têm uma coisa em comum: o amor pela dança! Dedicam-se todos às danças de salão, sendo que, atualmente, só o par mais jovem participa em competições nacionais e internacionais. Quando questionados sobre o que significa dançar, a resposta deles foi muito similar: “É a expressão mais sublime de dois corpos em harmonia”.




Conceição, como é que a sua vida se ligou à dança?
A dança sempre me encantou, desde menina. As danças de salão entraram na minha vida já na adolescência. Por um acaso, quando passava por um espaço de dança, ao escutar a música, eu e o meu marido decidimos entrar. Fiquei fascinada, pelo bailado dos corpos, numa harmonia rítmica com a música, que me seduziu completamente! Comecei então a praticar danças de salão, que engloba as latinas e também as clássicas ou standard.

Sei que atualmente já não compete, mas pode falar-me dessa experiência?
A arte da dança passou a fazer realmente parte da minha vida quando eu e o meu marido aceitámos o desafio de entrar em competição. A dedicação a esta paixão foi levada sempre com o lema de “chegar, dançar e vencer”. E só o conseguimos com grande espírito de sacrifício, pois conciliávamos a vida profissional com a de dançarinos. A elaboração das coreografias e os treinos eram depois compensados pela adrenalina dos dias de competição. Iniciámos o percurso na Associação Portuguesa de Professores de Dança de Salão Internacional (APPDSI) e arrecadámos o primeiro lugar, subimos de escalão, e alcançámos também aí o primeiro lugar. Em 2005, já na categoria de sénior, e por motivos profissionais, o meu marido abandonou a competição. Fechei o meu ciclo de competição em Sines com novo par, alcançando também o primeiro lugar. Fomos o primeiro par português da APPDSI a passar para o escalão de intermédios (em Portugal, não havia competição de pares séniores intermédios).

Para si, o que é a dança?
A dança é a expressão mais sublime de dois corpos em harmonia!

A sua paixão é tão grande que acabou por passar esse “bichinho” ao seu filho, o Pedro. O que sente quando o vê dançar?
Sinto-me uma mãe “babada”, orgulhosa do filho e com o apoio incondicional ao par. Quando dançam, “crescem”, passando toda a emoção e sentimentos pelo bailar harmonioso dos seus passos!

Agora, Pedro e Carla, como e quando se conheceram?
Estávamos os dois à procura de par, na altura 2011, e conhecemos-nos através de amigos que temos em comum e que sabiam que estávamos à procura de alguém para dançar. Falaram connosco e concordámos em fazer um treino experimental (try-out).

Foi “amor à primeira vista”?
Sim, logo no dia em que fizemos o primeiro try-out, sentimo-nos confortáveis a dançar um com o outro. Marcámos mais treinos e decidimos, ao fim de três experiências, dançar juntos.

Fazem dança a nível profissional. Podem descrever um dos vossos dias de trabalho?
Bom, os nossos treinos são constantes... todos os dias treinamos duas a três horas. Começamos por aquecer o corpo individualmente e depois, juntos, treinamos aspetos técnicos e passos básicos de dança. De seguida, passamos às nossas coreografias de competição.

Participam em várias competições nacionais e internacionais. Querem revelar os momentos mais emblemáticos?
Todas as competições têm os seus momentos marcantes, porém há sempre aquelas “mais importantes”, aquelas competições no estrangeiro, como o German Open Championship (GOC), entre outras que temos feito. É sempre um momento marcante quando numa competição a nível mundial, em que estão mais de 400 pares a participar na nossa categoria, nós conseguimos ser o terceiro melhor par português nesse campeonato, conseguindo alcançar a marca dos 73 melhores pares nessa categoria.

Para 2014, quais são já as competições previstas?
O nosso objetivo é fazer os mesmos campeonatos internacionais que conseguimos fazer em 2013 e mais alguns, se nos for possível claro. A nível nacional, queremos fazer todos os campeonatos previstos no calendário da Federação Portuguesa de Dança Desportiva (FPDD).

O que é que mais vos fascina neste mundo?
Tudo a nível de competição é fascinante... a adrenalina, a vontade de querer vencer, a vontade de aprender sempre mais e aperfeiçoar a técnica da dança e, claro, os aplausos e as palavras de carinho do público que nos vê dançar.

Pedro, como é ver a sua mãe dançar?
É com muito orgulho que digo que, se não fosse a minha mãe, eu não estaria neste mundo, pois foi ela que começou nestas andanças e, a partir daí, eu comecei a gostar. Ver a minha mãe a dançar é muito bom, porque passa a mensagem de que toda a gente pode dançar, basta querer!

Querem deixar alguma mensagem?
Quem dança, é mais feliz. Nada como deixar o “bichinho” contagiar-vos uma vez, porque sabemos que depois não conseguirão resistir a esta fantástica modalidade. Experimentem, divirtam-se, dancem e sejam felizes!

Fátima Amaral Ferreira
Esta entrevista foi escrita segundo o novo acordo ortográfico.
Nas imagens surgem os "protagonistas" deste texto.
Sexta, 13 de Dezembro, 2013 por Fátima Amaral Ferreira