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Qual a diferença entre sensualidade e sexualidade na dança?


Como podemos expressar sensualidade durante a nossa dança?
Um famoso professor de danças Latinas disse ‘A sensualidade das dançarinas é semelhante à de prostitutas de luxo.’ Estaria ele certo?

Durante esta época de Internet e Photoshop, perguntei ao melhor amigo virtual, o Google: ‘o que é sensualidade?’. Como resposta, recebi vários sites de conteúdo sexual. E no entanto, para mim, sexual e sensual são duas palavras bem diferentes.
Por definição, sensualidade é o prazer, a expressão e/ou a busca do físico – o desfrutar do prazer que recebemos através dos cinco sentidos: visão, audição, gosto, olfacto e tacto. E sexualidade é a capacidade de sentimentos sexuais, referindo-se aos instintos, processos fisiológicos e actividades relacionadas com a atracção física ou contacto físico íntimo entre indivíduos.

Na dança, a sensualidade necessita de uma atenção consciente dos sentidos em relação ao que acontece no momento, através dos sentidos tradicionais e também de outros dois que os seres humanos possuem: sentido cinestésico (do movimento) e sensação vestibular (responsável pelo equilíbrio).
É com todos estes sentidos e sensações que experienciamos o mundo que nos rodeia. Dependendo das circunstâncias, podemos focar-nos mais num ou noutro sentido.

Como funciona?
Quando aprendemos algo novo numa aula, alguns dançarinos precisam de ouvir como se faz, outros gostam de ver inúmeras vezes, outros necessitam de associar um sentimento e outros gostam que ‘faça sentido’. Nenhuma das sensações é preferível a outra.

Como é que a sensualidade e o tacto funcionam?
Para alguns dançarinos a sensualidade é o toque – a principal sensação de consciência. O tacto é o sentido mais antigo, mais primitivo e mais persuasivo, envolvendo quatro conjuntos diferentes de nervos que respondem à temperatura, dor, pressão ligeira e pressão profunda.
Na dança usamos o tacto de forma a sentirmos e comunicarmos com o nosso parceiro, mas também para sentir a diferença entre áspero e suave, macio e duro, até mesmo molhado e seco. Algumas zonas da pele têm mais terminações nervosas que outras e como tal são mais sensitivas ao toque: ponta dos dedos, língua e lábios. Outras áreas sensuais incluem a parte de trás do pescoço, braços, axilas e laterais do tronco.
Como tal, temos uma das formas de experienciar sensualidade: recebemos informação do mundo exterior (como, por exemplo, ser tocado), registamos através do(s) sentido(s) e graças a essa sensação expressamos a nossa sensualidade – vinda de dentro. Estando conscientes dela podemos então explorá-la e partilhá-la com o nosso parceiro de dança, com o público...
A sensualidade é reactiva e quando a mente recebe informação através dos sentidos essa experiência é traduzida em movimento sensual, imprimindo uma qualidade fluida, lânguida e hipnotizante à dança.

Não há apenas uma forma de ser sensual!
Eu acredito que tudo se pode transformar numa experiência de dança incrivelmente sensual: dançar e sentir o corpo mover-se no espaço quando nos alongamos, rodar quando queremos, quando o cabelo do nosso parceiro nos toca a cara, quando nos focamos na respiração, quando olhamos nos olhos da pessoa com quem dançamos... tudo pode ser sensual.

Como podemos ser dançarinos mais sensuais?
A sensualidade envolve mais do que os cinco sentidos tradicionais: quando juntamos consciência e intuição vai para além dos sentidos. Uma forma de um dançarino ser mais sensual na sua performance pode ser uma mistura de diferentes qualidades de movimento.


Actualmente somos uma sociedade visualmente orientada, e o que escolhemos para vestir tem um papel crucial nessa inclusão social. Mas no processo de nos tornarmos mais visuais tornámo-nos menos educados, menos informados, menos literados, etc.. Estamos a usar cada vez menos os nossos restantes sentidos.
J. Ruth Gendler escreve ‘Sensualidade não usa relógio mas chega sempre a tempo. É aventureira e irrequieta... Necessita de movimento...’.
Aparte todas as informações, filosofias, teorias, definições e métodos de sensualidade na dança, professores e dançarinos podem ser confrontados com situações surpreendentes. A sensualidade faz parte do movimento e para podermos dominá-la é necessário repeti-la e praticá-la. Até se tornar parte de nós.


Autor: Aleksandar Josipović

SaraClaro
http://www.dancearchives.net/2012/04/22/what-is-difference-between-sensuality-and-sexuality-from-aleksandar-josipovic/ (adaptado)
Sábado, 24 de Julho, 2010 por SaraClaro